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O Vestuário dos Tempos Bíblicos

torah livro sagrado dos judeus


O guarda-roupa do indivíduo que vivia nos tempos bíblicos era básico. Uma tanga (talvez) era usada por baixo da túnica, e também se usava alguma forma de cobertura para a cabeça. Calçados e casaco eram opcionais. As pequenas variações nesse padrão durante os dias bíblicos ficavam no terreno das cores, material e estilo, em vez de nas provisões básicas, pois roupas desse tipo se adaptavam melhor a um clima relativamente quente. Paulo usava a túnica presa na cintura por um cinto, como uma metáfora para o estilo de vida do povo escolhido de Deus (Cl 3.12), e todos compreendiam que ele falava do que era básico.

A roupa de baixo, quando usada, era uma tanga ou saiote. Pedro usava a tanga quando ficava "nu" ou "despido" no barco de pesca da família (Jo 21.7). Jesus foi crucificado usando apenas a tanga, porque os soldados já haviam removido sua túnica (Jo 19.23).

A Túnica
A túnica era a peça essencial, sendo feita de dois pedaços de material, costurado de forma que a costura ficasse horizontal, à altura da cintura. Quando eram tecidas litas no material do tear, elas caíam verticalmente no tecido acabado. A túnica era como um saco em muitos aspectos. Havia uma abertura em V para a cabeça, e cortes feitos nas duas laterais para os braços. A túnica era geralmente vendida sem a abertura em V, para provar que era realmente nova. O material podia ser lã, linho ou até algodão, segundo as posses do usuário. As túnicas feitas de pano de saco ou pelo de cabra eram muito desconfortáveis por causarem irritação na pele. Só eram então usadas em épocas de luto ou arrependimento.

As túnicas masculinas eram quase sempre curtas e coloridas; as das mulheres chegavam aos tornozelos e eram azuis, com bordados no decote em "V", o que em alguns casos indicava a aldeia ou região do usuário. A túnica usada por Jesus deve ter sido da última moda, por não ter a costura central. Teares preparados para acomodar o comprimento total da túnica só foram inventados nos seus dias (veja Jo 19.23).

A túnica era presa à cintura por um cinto de couro ou tecido áspero. O cinto tinha às vezes uma abertura, para colocar um bolso onde guardar dinheiro ou outros pertences pessoais (Mc 6.8). O cinto era também útil para enfiar armas ou ferramentas ( 1 Sm 15.13). Quando os homens precisavam de liberdade para trabalhar ou correr, levantavam a barra da túnica e a prendiam no cinto, tendo assim maior liberdade de movimento. isso era chamado de "cingir os lombos", e a frase tornou-se uma metáfora para os preparativos. Pedro recomenda, por exemplo, discernimento claro, aconselhando os cristãos a cingirem o seu entendimento ( 1 Pe 1.13). As mulheres também levantavam a barra da túnica - no caso delas - para levarem coisas de um lugar para outro. Não eram usadas roupas de dormir no fim do dia; o cinto era afrouxado e a pessoa deitava-se com a sua túnica.


ROUPAS MASCULINAS.
ESQUERDA PARA DIREITA: TRABALHADOR COM A TÚNICA ENROLADA
NO CINTO; HOMEM USANDO MANTO DE LÃ GROSSA SOBRE A TÚNICA;
HOMEM RICO COM MANTO FRANJADO E COLORIDO.


O Manto
Quando o indivíduo era suficientemente rico para comprá-lo, ou quando o frio exigia, um manto (ou capa) era usado sobre a túnica. Os mantos eram feitos de duas formas. No campo, onde o calor era determinante, eles enrolavam material pesado de lã ao redor do corpo, costurando-o na altura dos ombros e abrindo fendas para a passagem dos braços. O manto era a única forma de proteção para muitos, portanto, mesmo recebido como penhor de um empréstimo, ele tinha de ser devolvido ao dono antes do anoitecer para que pudesse agasalhar-se na friagem da noite (Êx 22.26,27). pela mesma razão um tribunal judeu jamais daria um manto como recompensa.

O outro tipo de manto era como um vestido frouxo com mangas largas. Quando feito de seda era um traje de gala, e o indivíduo rico jamais sairia de casa sem ele. os fariseus usavam franjas azuis na orla de seus mantos, a fim de que os outros vissem que eles guardavam a lei registrada em Números 15.38,39. Em vista de essa prática tender ao exibicionismo, ela foi condenada por Jesus (Mt 23.5). A mulher que sofria de hemorragia quis provavelmente tocar essa extremidade do manto de Jesus (Mt 9.20).

Calçados
Os pobres quase sempre andavam descalços, mas outros usavam sandálias simples. A sola era feita de um pedaço de couro de vaca cortado na forma do pé. Ela era ligada ao pé por uma tira comprida que passava através da sola, entre o dedo maior e o segundo dedo do pé, e era amarrada ao redor do tornozelo (Lc 3.16). Um outro modelo prendia alças feitas ao redor da sola com uma tira, cruzando-as por sobre o pé. Chinelos eram também usados.


SANDÁLIA DE COURO DO SÉC. I D.C., ENCONTRADA NA
FORTALEZA DE MASSADA.



Chapéus
A maioria dos homens parece ter usado uma cobertura no alto da cabeça: um pedaço de material dobrado em forma de tira com um dos lados virado para cima, de modo a dar uma aparência de turbante. As mulheres usavam um quadrado de material dobrado para proteger os olhos e que caía sobre o pescoço e ombros, como proteção completa contra o sol, o qual era mantido no lugar por um cordão trançado. Um véu transparente era usado algumas vezes sobre a cabeça para que a mulher não mostrasse o rosto em público. Só o marido podia ver a face da esposa. Rebeca ocultou assim o rosto antes de casar-se com Isaque ( Gn 24.65). Na cerimônia de casamento o véu era retirado do rosto da noiva e colocado no ombro do noivo, com a declaração: "O governo está sobre os seus ombros" (Is 9.6).

Limpeza das Roupas
As roupas eram lavadas, permitindo que a água limpa de um regato passasse pela trama do tecido removendo a sujeira; ou colocando as roupas molhadas sobre pedras chatas e esfregando a sujeira. Davi usou a ideia de lavar roupas como símbolo da ação necessária para limpar o seu pecado (Sl 51.2). O sabão era feito de óleo de oliva ou um álcali vegetal.


TRAJES DE UM CASAL RICO.
NOTE O MANTO DELE COMO UM VESTIDO E AS MANGAS LARGAS;
A MULHER USA BRACELETES, PINGENTE, BRINCOS E TIRA NA CABEÇA.


Vestuário Básico
Bem poucos podiam adquirir roupas devido ao seu alto preço. Os pobres só tinham uma muda de roupa. Portanto era comum trocar uma pessoa por um par de sapatos (Am 2.6), e foi praticamente revolucionário dizer ao povo que desse as túnicas de reserva como fez João Batista (Lc 3.11). É interessante ver que na sua codificação da lei no século I d.C., os judeus fizeram uma lista de roupas que podiam ser resgatadas de uma casa incendiada no sábado - interessante porque a lista indica o valor das roupas e menciona peças familiares na época. A lista está dividida em duas seções, para homens e mulheres ( as crianças usavam versões menores das roupas dos adultos).

Muitos dos nomes das peças são gregos, mas os padrões básicos são exatamente os mesmos. As roupas tinham tamanha importância que rasgá-las em pedaços era um sinal de intenso sofrimento ou luto (Jó 1.20).


Ornamentação
Além das roupas, eles usavam muitos outros recursos, tais como maquiagem, enfeites e tratamento de cabelo. Esse aspecto era tão importante para as mulheres da época do Novo Testamento que as cristãs foram advertidas a se enfeitarem com um espírito manso e tranquilo ( 1 Pe 3.3,4). os cosméticos eram feitos com kohl (carbonato verde de cobre) ou com galena ( sulfeto negro de chumbo) (Ez 23.40).



ROUPAS E COSMÉTICOS DAS MULHERES ROMANAS SÃO
MOSTRADOS NESTE PAINEL DEDICADO PELAS SERVIÇAIS
DE UM SERVIÇO RELIGIOSO.


PENTE ROMANO DE MARFIM, INSCRITO COM O NOME
DE SUA PROPRIETÁRIA: MODESTINA.


Isaías descreve com detalhes a ornamentação usada em sua época (Is 3.18-21). Muitos dos brincos, braceletes e pingentes eram engastados com pedras preciosas, mas é extremamente difícil identificar a natureza exata das pedras nas linguagens antigas. Óleos eram usados como base para pigmentos que coloriam os dedos das mãos e dos pés. Os cosméticos poderiam ser aplicados com os dedos ou com uma pequena espátula de madeira. os homens usavam frequentemente um anel no dedo ou uma corrente ao redor do pescoço, mas esses anéis serviam mais para selar do que como decoração. Nos dias do Antigo Testamento, o cabelo era um item importante, sendo raramente cortado.


CAMPONESA (EM PRIMEIRO PLANO) - NOTE AS SANDÁLIAS
SIMPLES DE COURO - E UMA MULHER RICA. AMBAS TÊM A CABEÇA COBERTA.



Curiosidades

Roupas masculinas/Roupas femininas
Deuteronômio 22.5. Em vista da túnica ser tão básica, ela era idêntica para homens e mulheres, exceto que a do homem era geralmente mais curta ( na altura do joelho) e a da mulher mais longa ( na altura do tornozelo) e azul. A proibição de trocar as roupas teve sua origem no estímulo sexual que fazia parte da religião cananita.

O "casaco colorido de José"
Gênesis 37.3. José ganhou uma túnica feita de muitas peças. As peças adicionais eram provavelmente mangas compridas que atrapalhavam quando havia serviço a fazer. (Quando as mulheres usavam mangas longas e largas, elas as amarravam atrás do pescoço, para que os braços ficassem livres). Isso indicava que José não devia fazer trabalho pesado; ele era o herdeiro escolhido para governar a família.

O manto e a túnica
Mateus 5.40; Lucas 6.29. Jesus não entendera mal e não estava se contradizendo. No primeiro caso, Jesus falava sobre o tribunal que podia tirar a túnica, mas não a capa da pessoa. No segundo caso, um ladrão iria roubar primeiro a roupa de cima, que era valiosa.

Cobrindo a cabeça das mulheres
1 Coríntios 11.10. As mulheres andavam com a cabeça coberta e usavam véu fora de casa. Só as prostitutas mostravam a face e exibiam os cabelos para atrair os homens. Paulo diz então aos cristãos que se uma mulher não usar véu na igreja, deve ter a cabeça raspada; mas é melhor que cubra a cabeça. Mesmo quando os cristãos têm liberdade para a prática da sua fé, não devem contrariar os bons costumes.

A armadura de Deus
Efésios 6.10, 11. Paulo se refere à roupa usada pelo soldado. Ele combina a profecia de Isaías sobre a armadura de Deus ( Is 59. 16, 17) com o que sabe sobre o soldado romano. Por baixo da armadura do soldado estava uma vestimenta básica para "ficarem firmes", de modo que a armadura (casaco e saia de couro cobertos com placas de metal) pudesse ajustar-se por cima. os soldados romanos tinham sandálias pregadas com tachas grandes que firmavam seus pés no chão. Paulo usa a descrição para dizer que o diabo não poderá derrubar os cristãos se eles forem estritamente honestos, absolutamente justos em seus tratos e não se deixarem perturbar facilmente. Acrescente a isso uma salvação que os capacita a viver segundo o padrão de Deus, com acesso ao que Deus disse e confiança nEle, e o cristão estará bem protegido.

Os trajes do sacerdote
Êxodo 28. Os sacerdotes usavam uma roupa de linho sobre a parte de cima da túnica, talvez para mantê-la limpa, chamada estola ( 1 Sm 2.18, 19). O sumo sacerdote usava roupas especiais, mas continuava seguindo a provisão básica. A túnica era azul, a estola ricamente bordada, e havia nesta uma espécie de bolsa incrustada de jóias contendo dois discos para determinar a vontade de Deus, ao serem lançadas sortes. A capa era branca. Ele usava um turbante especial na cabeça.




Referência Bibliográfica:

GOWER, Ralph; Usos e Costumes dos Tempos Bíblicos, 1 ed, 2002, Casa Publicadora das Assembleias de Deus, Rio de Janeiro.



fonte: O Peregrino Cristão

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Como é Feita a Mumificação no Antigo Egito

MÚMIA DO FARAÓ SETI, QUE GOVERNOU O EGITO DE 1291 A 1278 A.C.



Na época pré-dinástica, os mortos eram sepultados na areia. Os cadáveres ressecavam e ficavam conservados por anos. Unindo essa observação à crença na vida além túmulo, onde o morto precisaria de seu corpo em condições favoráveis para passar a eternidade, os egípcios desenvolveram técnicas de embalsamento.

As primeiras provas do uso de métodos rudimentares de preservação de cadáveres no Egito são de cerca de 3100 a.C. - é dessa época uma caixa com ossos encontrada perto do Cairo. Só atingiram a perfeição perto de 1000 a.C., quando a mumificação já era feita regularmente em lugares chamados per-nefer ("casa da purificação"). O procedimento podia ser mais ou menos sofisticado e caro. O mais completo começava com a evisceração a partir de uma incisão no lado esquerdo do corpo. Eram extraídos o intestino, o fígado, os pulmões, a bexiga e o estômago - que eram lavados, purificados e depositados em quatro vasos (chamados canopes). Os rins e o coração não eram removidos. Conforme a época os olhos eram retirados e vidros pintados eram colocados no globo ocular.

O abdomem era perfumado com mirra, canela e outras ervas. Introduziam na narina esquerda um ferro recurvado e fino de bronze com o qual rompiam o osso que separa as fossas nasais da parte anterior do crânio e puxavam o cérebro para fora, por partes. Acredita-se também que usavam um pequeno fole para sugar a massa encefálica. Na caixa craniana era injetada resina ou betume, que se solidificava. O corpo era então imerso em natrão para desidratar por 40 dias. Depois era lavado com água do Nilo e untado com bálsamo. As cavidades torácica e abdominal eram preenchidas com serragem, líquen seco, palha e chumaços de pano. E as incisões eram costuradas. Finalmente eram colocadas as ataduras - bandagens de linho com resina. Enquanto isso, um sacerdote , usando uma máscara do deus Anúbis, recitava orações e fórmulas mágicas.

Segundo o historiador Herótodo, havia duas outras técnicas mais baratas: "Preparavam enemas cheios de óleo de cedro e com eles enchiam o ventre do morto, sem fazer cortes nem remover o intestino. Depois o imergiam no natrão pelo tempo estabelecido. No último dia tirava o óleo, e ele saía com tanta força que trazia consigo os intestinos e as vísceras maceradas". O processo todo demorava 70 dias. Para os mais pobres, a preparação do corpo se limitava à purificação de intestino com uma planta purgativa e à colocação do corpo no natrão.


1 - EVISCERAÇÃO: A remoção das vísceras era feita por uma incisão no abdome. Por ali era retirados os órgãos. O cérebro era puxado pelo nariz com ajuda de um gancho (ou pinça) de metal ou de um pequeno fole.


2- DESIDRATAÇÃO: Os órgãos eram tratados, perfumados e colocados em vasos específicos. Depois o corpo era coberto de natrão, um tipo de sal. O processo de desidratação demorava 40 dias.


3- PREENCHIMENTO: Por volta do ano 1000 a.C. em diante, os embalsamadores começaram a preencher os corpos com chumaços de pano, palha, líquen e serragem para que múmia tivesse uma aparência menos flácida.


4- ENFAIXAMENTO: Eram enfaixados os dedos, um por um; depois os membros, o rosto e o tórax. Entre as 300 tiras de linho embebidas em resina e óleos aromáticos eram colocados amuletos. No rosto ia a inscrição "Que viva".



Referência Bibliográfica:

Aventuras na História - Edição Especial; Egito - O guia definitivo da civilização mais misteriosa de todos os tempos. Edição 94-A, maio de 2011, Editora Abril; São Paulo, SP.

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Arqueologia da Cidade de Palmyra

Templo de Baal-Shamin

Palmyra foi uma antiga cidade na Síria central. Na antiguidade, era uma importante cidade localizada em um oásis de 215 km a nordeste de Damasco e 180 km ao sudoeste do Eufrates em Deir ez-Zor. Tinha sido uma parada da caravana vital para os viajantes que atravessam o deserto da Síria e era conhecida como a Noiva do Deserto. A primeira referência documentada para a cidade pelo seu nome semita Tadmor, Tadmur ou Tudmur (que significa "a cidade que repele" em amorreu e "a cidade indomável" em aramaico) é gravada em tabletes babilônicos encontrados em Mari.
Embora o sitio antigo caiu em desuso após o século 16, ainda é conhecida como Tadmor em árabe (aka Tedmor), e há uma nova cidade com o mesmo nome ao lado das ruínas. O Palmyrenes construiu uma série de grandes monumentos contendo arte funerária, tais como lajes de calcário com bustos humanos, representando o falecido.


Cultura
Os habitantes Palmyra eram de descendência sírio; eles tinham nomes em aramaico, e adoraram uma variedade de divindades da Mesopotâmia (Marduk e Ruda), Síria (Hadad, Ba ʿ al, Astarte), Saudita (Allat ) e Grécia (Athena). Palmyrans foram originalmente falantes de aramaico, mas depois mudou para a língua grega. Na época da conquista islâmica Palmyra era habitada por várias tribos árabes, principalmente os Qada'ah e Kalb.


Historia
A etimologia exata do nome "Palmyra" é desconhecida, embora alguns estudiosos acreditam que foi relacionado ao palmeiras na área. Outros, no entanto, acreditam que pode ter vindo de uma tradução incorreta do nome "Tadmor". A cidade foi mencionada pela primeira vez nos arquivos de Mari no segundo milênio aC. Era uma cidade de comércio na rede extensa de comércio que ligava a Mesopotâmia e norte da Síria. Tadmor é mencionado na Bíblia hebraica (Segundo Livro de Crônicas 8:4) como uma cidade construída no deserto (ou fortificada) pelo Rei Salomão da Judéia:
Tinha havido um templo em Palmyra em 2000 anos antes dos romanos nunca viu. Sua forma, uma grande pedra com paredes de câmara com colunas de fora, é muito mais próximo do tipo de coisa atribuída a Salomão do que a qualquer coisa romana. Ela é mencionada na Bíblia como parte do Reino de Salomão. Na verdade, ela diz que ele construiu.
-Terry Jones e Alan Ereira, Barbarians Terry Jones ', p. 183
Flavius ​​Josephus também atribui a fundação da Tadmor a Salomão em sua Antiquities of the Jews (Livro VIII), juntamente com o nome grego de Palmyra, embora esta deve ser uma confusão com bíblica "Tamara". Diversas citações na tractates do Talmud e do Midrash também se referem à cidade no deserto da Síria (às vezes trocando as letras "d" e "t" - "Tatmor" em vez de "Tadmor").


períodos Greco-romana
Inscrição da rainha Zenobia em Palmyra.
Quando os selêucidas assumiu o controle da Síria, em 323 aC, a cidade foi entregue a si mesmo e tornou-se independente, florescendo como uma parada da caravana no século 1 aC. Em 41 aC, Marco Antônio enviou um grupo de ataque para Palmyra, mas o Palmyrans tinha recebido a inteligência da sua abordagem e fugiu para o outro lado do Eufrates, demonstrando que, naquela época ainda era Palmyra um assentamento nômade e seu valor pode ser removido em curto prazo.


Em meados do século 1, Palmyra, uma cidade rica e elegante, localizado ao longo das rotas de caravanas ligando a Pérsia com os portos do Mediterrâneo romano da Síria e da Fenícia, passou ao controle romano. Um período de grande prosperidade seguiram.
Jones e Erieira nota que os comerciantes Palmyran propriedade navios em águas italianas e controlavam o comércio da seda indiana. "Palmyra se tornou uma das cidades mais ricas do Oriente Próximo". "O Palmyrans tinha realmente um grande truque, eles eram as únicas pessoas que conseguiram viver ao lado de Roma sem ser romanizado. Eles simplesmente fingiu ser romanos."
Palmyra foi feita parte da província romana da Síria durante o reinado de Tibério (14-37 dC). Ele foi crescendo em importância como uma rota de comércio ligando a Pérsia, Índia, China, e do Império Romano. Em 129, Adriano visitou a cidade e ficou tão encantado com ela que ele proclamou uma cidade livre e rebatizou-Palmyra Hadriânia.

Início em 212, o comércio Palmyra diminuiu como os sassânidas ocuparam a foz do Tigre e do Eufrates. Septimius Odaenathus, um príncipe de Palmyra, foi nomeado pelo Valerian como o governador da província da Síria. Depois de Valeriano foi capturado pelos sassânidas e morreu em cativeiro em Bishapur, Odaenathus campanha, tanto quanto Ctesiphon (perto moderna Bagdá) para a vingança, invadindo a cidade duas vezes. Quando Odaenathus foi assassinado por Maconius seu sobrinho, sua esposa Zenobia Septimia tomou o poder, governando Palmyra em nome de seu filho, Vabalathus.

Zenobia se rebelou contra a autoridade romana, com a ajuda de Cassius Longinus e assumiu Bosra e terras, tanto para o oeste como o Egito, que institui o Império Palmyrene de curta duração. Em seguida, ela tomou seções Antioquia e grande parte da Ásia Menor ao Norte. Em 272, o imperador romano Aureliano finalmente restaurada Roman e controle de Palmyra foi sitiada e saqueada, para nunca mais recuperar sua antiga glória. Aureliano capturou Zenobia, trazendo de volta a Roma. Ele desfilou-la em correntes de ouro, na presença do senador Marcelo Petrus Nutenus, mas permitiu-lhe retirar-se para uma villa em Tibur, onde tomou parte ativa na sociedade por anos. Uma fortaleza legionário foi criada em Palmyra e embora deixou de ser um importante centro de comércio, não obstante, permaneceu um importante entroncamento de estradas romanas no deserto sírio.

Diocleciano expandiu a cidade para abrigar legiões ainda mais e paredes em tentar salvá-lo da ameaça Sassânida. O período bizantino após o Império Romano só resultou na construção de algumas igrejas, grande parte da cidade foi para a ruína.

Temple of Baal-Shamin, Palmyra

O edifício mais impressionante em Palmyra é o grande templo de Baal, considerado "o mais importante edifício religioso do primeiro século dC no Oriente Médio". surgiu como um templo helênico, dos quais apenas fragmentos de pedras sobreviver . O santuário central (cella) foi adicionado no início do século 1 dC, seguido por um pórtico de casal grande com colunas em estilo coríntio. O pórtico da entrada oeste e data (propylaeum) a partir do século 2. O templo medidas 205 x 210m.


A partir do templo, uma rua com colunatas, correspondente ao decumanus antigo, leva para o resto da cidade antiga. Tem um arco monumental (que datam do reinado de Septímio Severo, AD século 3), com rica decoração. Em seguida foram um templo de Nabu, da qual pouco resta hoje em dia para além do pódio, e os banhos chamados de Diocleciano.


O segundo mais notável permanecer em Palmyra é o teatro, hoje com nove fileiras de assentos, mas muito provavelmente originalmente ter até doze com a adição de estruturas de madeira.Foi datado do século 1 dC. Atrás do teatro foram localizados num edifício do Senado pequeno, onde a nobreza local discutidas as leis e tomou decisões políticas, e os chamados "Tribunal da pauta", com uma inscrição que sugere que era um lugar para caravanas para fazer pagamentos. Perto está o grande ágora (medindo 48 x 71 m), com restos de uma sala de banquetes (triclínio); entrada a ágora era decorado com estátuas de Septímio Severo e sua família.


A primeira secção das escavações termina com uma grande parte Tetrapylon restaurado ("quatro colunas"), uma plataforma com quatro conjuntos de quatro colunas (apenas um dos originais em granito egípcio ainda é visível). Uma rua transversal leva para o Campo de Diocleciano, construído pelo governador da Síria, Sosianus Hierocles, com os restos das grandes centrais principia (hall de habitação as legiões). Estão perto do templo da deusa síria Allat (2 º século dC), o Portão de Damasco e do Templo de Baal-Shamin, erguido em 17 dC e mais tarde expandida sob o reinado de Odenato. Restos incluem um pórtico notável levando à cella.



arte funerária
Fora das antigas muralhas, o Palmyrenes construiu uma série de monumentos funerários de grande escala que agora formam o chamado Vale das Tumbas, uma necrópole 1 km de comprimento, com uma série de grandes estruturas ricamente decorado. Esses túmulos, alguns dos quais foram abaixo do solo, tinha paredes interiores que foram cortados ou construídos para formar compartimentos enterro em que o falecido, estendida em seu comprimento total, foram colocados. Lajes de calcário com bustos humanos em alto relevo selou a aberturas retangulares dos compartimentos.
Estes relevos representavam a "personalidade" ou "alma" da pessoa enterrada e fazia parte da decoração da parede no interior da câmara túmulo. A cena do banquete descrito neste relevo sugere uma tumba familiar em vez do que a de um indivíduo.


novas escavações
Equipes arqueológicas de vários países têm trabalhado em off em diferentes partes do sitio. Em maio de 2005, uma equipe polonesa escavação no templo Lat descobriu uma estátua de pedra altamente detalhada da deusa alada da vitória Nike.


Recentemente, arqueólogos em trabalhar na região central da Síria desenterraram os restos de uma igreja de 1.200 anos de idade, acredita-se ser o maior já descoberto na Síria, em um sítio de escavação na antiga cidade de Palmyra. Esta igreja é o quarto a ser descoberto em Palmyra. Funcionários descreveu-o como o maior de seu tipo a ser encontrado até agora - a sua base de medição de um impressionante 51 por 30 jardas. As colunas da igreja foram estimadas em 20 pés de altura, com a altura do tecto de madeira mais de 49 pés. Um pequeno anfiteatro foi encontrado no pátio da igreja onde os especialistas acreditam que alguns rituais cristãos eram praticados.Em novembro de 2010 austríaca media manager Helmut Thoma admitiu saques um túmulo Palmyrian, onde ele roubou peças arquitectónicas, apresentou hoje em sua vida privada quarto. arqueólogos alemães e austríacos protestou contra este crime.



Vista panorâmica de Palmyra, fundada por Salomão, rei de Israel. Os seus monumentos
surpreendem pela sua extensão. Reconstruída pelo imperador Diocleciano, foi tomada pelos árabes

Túmulo de Elabel, no Vale dos Mortos, em Palmyra





















tradução:pr jose silva

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Arqueologia da Cidade de Qunram


Qumran, Khirbet Qumran, “ruína da mancha cinzenta”, é um sítio arqueológico localizado a uma milha da margem noroeste do Mar Morto, a 12 km de Jericó e a cerca de 22 quilômetros a leste de Jerusalém, em Israel.

Situado na fissura do Mar Morto entre dois barrancos profundos, em uma área onde atividades tectônicas são freqüentes e a precipitação média anual é muito baixa.

O meio ambiente atual é árduo e difícil para o cultivo; mas foi precisamente o clima árido e a inacessibilidade do local que contribuiu significativamente para preservação de estruturas e de materiais arqueológicos encontrados na região.

Nessa região há aproximadamente 330 dias de sol por ano e praticamente não há precipitações. O ar é tão seco e quente que a água das evaporações é seca imediatamente no ar, criando uma névoa e resultando em um cheiro de enxofre.
Qumran tornou-se célebre em 1947 com a descoberta de manuscritos antigos que ficaram conhecidos como os Manuscritos do Mar Morto.



Em 1947, os primeiros manuscritos foram encontrados em uma caverna às margens do Mar Morto por um jovem beduíno que cuidava de um rebanho de ovelhas. A notícia do achado espalhou-se rapidamente após a venda e aquisição dos primeiros manuscritos. De imediato a comunidade científica interessou-se pelo achado.

A “École Biblique et Archéologique Française de Jerusalém” desenvolveu pesquisas em Qumran e arredores desde o final da década de 40 até 1956. O chefe da equipe, no período de 1951 a 1956 foi o frei francês Roland Guérin de Vaux (1899-1971).


Aproximadamente 930 fragmentos de manuscritos hebraicos, aramaicos e gregos foram encontrados em onze cavernas em Qumran, datando de 250 a.C. ao século I da Era Cristã.

O ANTIGO TESTAMENTO: é composto de 39 livros que constituem os escritos sagrados - ou as Escrituras - do povo Judeu e da sua religião, o judaismo. Eles escreveram em hebreu e em aramaico, as duas linguas antigas dos judeus. Certos escritos são tão antigos que se ignora quase tudo sobre a sua origem. Os escribas judeus faziam de tempos a tempos novas cópias dos seus livros sagrados. Mas os documentos conservam-se mal num clima como este dos países bíblicos, de maneira que poucos manuscritos deste tempo foram encontrados.


Em 1947, os mais antigos textos do Velho Testamento hebraico datavam do 9º e do 10º século da nossa era. Tratavam-se de cópias dos cinco primeiros livros da Bíblia, o Pentateuco. Em 1947, foi feita a mais extraordinaria descoberta de manuscritos provenientes da biblioteca da comunidade judaica que vivia no Qunram, perto do Mar Morto, comunidade existente no tempo de Jesus. Estes manuscritos tem mil anos mais que os datados do século 9º e 10º da nossa era. Entre estes manuscritos do Mar Mortoo, havia cópias de todos os livros do Antigo Testamento, excepção ao livro de Ester.

Estes manuscritos do Qunram são muito importantes porque eles contêm essencialmente o mesmo texto que os do 9º e 10º século da nossa era. Ou seja, eles confirmam que o texto do Antigo Testamento não mudou durante um período de mais de mil anos. Os copistas trabalharam com tanto cuidado que não se encontra erros ou modificações. É verdade, que nalgumas passagens se encontram expressões diferentes, não por isso, modificação do sentido. Por vezes não é possível descobrir o sentido exacto de certas palavras hebraicas, pelo facto de estarem gastas ou as expressões que no século 9º da nossa era já não existiam. Por estas razões estudiosos das línguas bíblicas; persa, egípcias, hebraicas e gregas, realizam um trabalho notável, com relevo para a Universidade de Jerusalém.




Arqueologia

A arqueologia distingue três fases de ocupações:
Junto a uma aguada fortificada do séc. VIII-VII a.C., ocorre uma ocupação essênia modesta antes de 100 a.C.; sob Alexandre Janeu, as instalações são ampliadas consideravelmente, passando a ser uma “fortaleza dos piedosos”. A estrutura comportava 200 a 300 pessoas. A colônia é abandonada após um terremoto em 31 a.C. e um incêndio.

Ocupação sob Arquelau (4 a.C. – 6 d.C.), com ampliação das fortificações e reforço da segurança. Destruição das fortificações pela Legio X Fretensis (68 d.C.); antes porém a monumental biblioteca é transferida às pressas para as cavernas das imediações.

Guarnição romana (68 – 100 d.C.); base de operações dos seguidores de Bar Cochba, na II Guerra Judaica (132-135 d.C.).


A primeira coisa que o visitante encontra no interno do sitio, é uma série de ruínas, testemunhas da existência de um vilarejo cercada por um muro de pedras. Não eram moradias, mas edifícios usados pelas atividades comunitárias da seita: aquedutos, cisternas, uma torre, uma sala de escritura, uma cozinha, uma sala para assembléias, uma para jantar, os armazéns para guardar os alimentos, um ambiente para trabalhar a cerâmica, o forno, a estrebaria. O pessoal não morava nesses edifícios, mas nas tendas que estavam ao redor.


A leste das ruínas, uma breve descida desertica chega à planície à beira do Mar Morto. A norte uma inclinação muito íngreme precipita no uadi Qumran, o leito do rio que tem um riacho somente com as raras chuvas. Da beira do uadi, é possível enxergar as aberturas das grutas onde foram encontrados os manuscritos. Aqui foram escondidos pelos adeptos da seita, quando desconfiaram que os romanos podiam aparecer e destruir a comunidade. A oeste a parede rochosa e seca da montanha, que forma um abismo de 250 metros, onde no inverno aparece uma cachoeira.




O sítio tem inúmeras miqweh, as piscinas para rituais nas quais se celebrava o batismo dos novos adeptos ou as lavagens. A caraterística principal destas piscinas é que não eram apenas cisternas para guardar a água da chuva ou para servir às necessidades higiênicas. As abluções nas piscinas eram parte fundamental do culto essênico.


Podemos comparar as miqweh hebraicas aos ghat da Índia que se encontram na beira do rio Gange ou no interno dos templos hindu. A estrutura das piscinas mostra claramente que foram concebidas propositadamente para as pessoas poderem entrar comodamente na água, por meio de uma escadaria, e ali cumprir o ritual de purificação. Em primeiro lugar, antes de reunir-se para a refeição comunitária, os membros trocavam de roupa, vestiam uma veste de linho e mergulhavam nas piscinas. Em segundo lugar lembramos que o mesmo ritual de admissão na comunidade era uma cerimônia batismal: a purificação conseguida mergulhando na água. Quem pode não refletir sobre o extraordinário paralelismo com os costumes dos primeiros cristãos, os quais admitiam os novos adeptos com um batismo purificador dos pecados?


Também o ritual da abertura da refeição comunitária é motivo de considerações sobre as ligações entre o cristianismo e essenismo: "…E quando aprontarem a mesa para comer o pão ou o vinho doce para beber, o sacerdote estenderá a mão para abençoar o pão e o vinho doce…"; "…e quando se reuniram à mesa comum para comer ou para beber o vinho doce, na hora que a mesa será aprontada e o vinho doce será versado, ninguém estenderá a mão sobre o pão e o vinho doce antes do que o sacerdote, já que ele abençoará o pão e o vinho doce e estenderá por primeiro suas mãos sobre o pão…". O fato que o pão e o vinho tenham que ser abençoados pelo sacerdote, antes de ser distribuídos aos comensais, evoca em maneira mais que evidente o ritual eucarístico cristão e a inteira representação do último jantar de Jesus.


Nesta altura, é possível compreender porque a descoberta dos manuscritos causou uma séria preocupação ao mundo católico, e tornou Padre de Vaux um tanto ciumento destes rolos, induzindo-o a criar uma comissão "internacional" feita apenas de pessoas de fé certificada, e a ocultar os rolos proibindo o acesso aos outros. O material qumraniano tinha que ficar sob controle, para evitar eventuais perigos à interpretação histórica comumente aceita do cristianismo primitivo.



Piscina usada nos rituais da seita de Khirbet Qumran
Felizmente, no início da década de 90, alguém conseguiu tornar públicas cópias fotográficas dos manuscritos, abrindo a possibilidade de estudar o material num clima livre de monopólios e condicionamentos à parte. Com certeza o mérito maior de tudo isso pertence ao professor R. Eisenman, diretor do departamento de Estudos Religiosos da Universidade da Califórnia (EUA), o qual há anos vinha tentando acessar os manuscritos, mas em resposta ouviu exatamente estas palavras: "Nunca o Senhor vai ver os rolos, até a morte". O pesquisador afirma que essênios (hassidim, em hebraico), zadoquitas (zaddiqim, em hebraico), zelotes (qannaim, em hebraico), nazoreus (nozrim, em hebraico, nazorai, em grego) e os primeiros cristãos judeus (Simone, Giacomo…) sejam, em prática, a mesma coisa, ou pelo menos, aspectos muito correlatos de uma só realidade: a divergência religiosa, purista e intransigente contra a evidente corrupção da classe sacerdotal de Jerusalém, e a presença, no trono de Israel, de uma dinastia indigna, a de Erodes. A seita se tornou guarda do conceito messiânico, e a vida sectária era concebida como uma preparação concreta, religiosa, mas também militar no sentido comum da palavra, à iminente liberação messiânica, que teria devolvido a Yahweh a soberania única de Israel.



Uma importante consideração a fazer é relativa ao nome que a seita qumraniana dava a si mesma e ao lugar onde estava instalada. Logicamente a denominação de Khirbet Qumran é moderna e pertence à língua árabe. Para conhecer como os qumranianos indicavam seu próprio lugar de auto - exílio, podemos utilizar as palavras do Documento de Damasco [imagem a direita]:

"…o poço é a lei, e aqueles que o escavaram são os convertidos de Israel, aquele que saíram da terra de Judá e se exilaram na terra de Damasco…" (Documento de Damasco VI, 4-5)


"…segundo a disposição daqueles que entraram no novo pacto na terra de Damasco…" (Doc. Damasco VI, 19)

"…a estrela é a intérprete da lei que verá a Damasco, como está escrito: uma estrela tem feito muita estrada desde Giacobbe, e um cetro se levanta de Israel…" (Doc. Damasco VI, 18-20)

É importante observar, neste último versículo, a citação de uma profecia messiânica [Num. 24,17], que o Novo Testamento afirma estar referida a Cristo (Mt 2, 1-12 e Ap. 22, 16), também em relação a imagem da "estrela" como astro nascente que anuncia a chegada do Messias. Isso torna ainda maior a ligação do movimento cristão originário com o qumraniano.
E ainda:

"…Todos os homens que entraram no novo pacto na terra de Damasco, mas depois se foram, traíram e se afastaram do poço da viva água…" (Doc. Damasco VIII, 21)

Neste versículo também encontra-se uma correspondência com o Novo Testamento. A imagem do poço da viva água corresponde perfeitamente às palavras usadas por Jesus no diálogo com a samaritana, no Evangelho de João.
E ainda:

"…o pacto com o qual se comprometeram com o país de Damasco, ou seja, o novo pacto…" (Doc. Damasco XX, 12)


Tudo isso leva a acreditar que expressões como Damasco e a terra de Damasco, eram utilizadas pelos qumranianos para indicar ora a si mesmos e a sua comunidade, ora o lugar ou os lugares dos seus rituais. Muitos estudiosos concordam com esta opinião, inclusive o mesmo Padre de Vaux (L'archeologie et les manuscrits de la Mer Morte, London 1961), além de J. Barthelemy, A. Jaubert, G. Vermes, N. Wieder e outros. Qual o motivo de os qumranianos adotarem esta denominação? Eles trouxeram inspiração num texto bíblico, Amos 5, 26-27, que de fato vem citado no mesmo Documento de Damasco (VII, 14-15), onde se fala da teologia da deportação e do exílio (veja também Jeremias e Ezequiel).


Em prática, Damasco é visto como um lugar de exílio, um lugar onde os homens pio e puros encontram um abrigo em frente a cólera de Deus. Jeremias e Ezequiel falam dos exilados em Damasco como a parte melhor do povo de Israel. Os qumranianos, que se separaram auto-exilando-se no deserto do Mar Morto para protesto contra a corrupção da classe sacerdotal de Jerusalém, explorando a similitude com os versos bíblicos, comparam a si mesmos aos "deportados na terra de Damasco", e nomearam Damasco o próprio ritual.


Tudo isso tem um papel fundamental na leitura e interpretação do Novo Testamento. O Professor R. Eisenman (California State University), que acredita na identidade, ou pelo menos numa estrita parentela, entre a comunidade de Qumran e o movimento judeu-cristão primitivo, afirma que o famoso trecho dos Atos dos Apóstolos no qual Paulo é enviado a Damasco pelo sumo sacerdote em busca de cristãos para prendê-los, tenha que ser completamente reinterpretada, entendendo com Damasco não a célebre cidade da Síria, mas este sitio de Qumran.


De fato, é importante observar que na Síria, nem Paulo nem o sumo sacerdote de Jerusalém tinham alguma autoridade. A cidade de Damasco pertencia a outra administração e as autoridades de Jerusalém não tinham nenhum direito de efetuar ações de polícia na Síria. Tudo isso mostra claramente a quantidade de questões que podem nascer de uma atenta análise da origem cristã. E de quanto tenha sido manipulada a memória histórica, pelos interesses apologéticos de uma nova religião extra Judia, que tinha se afastado completamente da fé da comunidade judeu-cristã primitiva. É extremamente provável que os Atos dos Apóstolos, um documento sobre cuja atendibilidade histórica é possível fazer inúmeras objeções, tenha sido redigido pelos seguidores da teologia revisionista de Paulo com o fim de dar a impressão de uma continuidade entre o movimento do messias injustiçado por Pôncio Pilatos e a "eclesia" dos cristãos que estava formando-se, sobretudo em ambientes greco-romanos e da diáspora hebraica. Claramente, uma continuidade completamente falsa.





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